Grande Sertão Veredas

Amanda Chain, colunista do AJ
 
“Nonada”. Essa é a primeira expressão – impressão – que o leitor encontra na parte inicial do livro “Grande Sertão: Veredas”, do mineiro João Guimarães Rosa. A exemplo do termo, desconhecido da maior parte das pessoas, a obra em questão também possui elementos para lá de singulares. Vai mal quem tenta encontrar capítulos no calhamaço de mais de 600 páginas, por exemplo. Todavia, a ausência das formalidades somente reafirma o nonada da primeira linha: Rosa foi, sem dúvida, o escritor de linguagem mais original na língua portuguesa. 
 
Escrito em 1956, “Grande Sertão” apresenta as aventuras – e desventuras – do jagunço Riobaldo. Porém, ao contrário do que o senso comum presunçosamente suporia, o personagem acaba por tecer, ao longo de seu relato em primeira pessoa, questionamentos filosóficos bastante complexos. Há, ainda, uma série de reviravoltas na trama, a maior delas uma “amizade meio estranha”, desnudada apenas na parte final da história. Tudo isso temperado pelo teor regionalista do único romance de Guimarães Rosa. Quer conhecer um pedaço ainda pouco explorado do Brasil? Embarque nessa viagem pelo grande sertão de Minas e suas veredas; o lombo do burrinho Pedrês pode ser o meio de transporte.
 
Médico por formação, diplomata aclamado e escritor de “talento” puro, Rosa contribuiu também – quem diria? – para disseminar a fama de um outrora desconhecido artista paranaense. Após a profícua parceria com o autor de “Grande Sertão: Veredas”, Poty Lazzarotto teve seu trabalho difundido país afora, por meio das ilustrações de capa. E a escolha não poderia ter sido mais acertada: as linhas simples e duras de Poty retratam visualmente os causos do homem do mato, que Rosa destilava magistralmente.
 
Inclusive, uma versão da primeira edição de “Grande Sertão: Veredas”, com as famosas gravuras de Poty, foi reeditada recentemente, com distribuição exclusiva da Livraria do Chain. 
 
A propósito, e enquanto é tempo, o “nonada” significa ninharia, insignificância. Livraria José Olympio Editora. R$ 29,90.
 
 
Publicado na edição 208 - abril/2017

Elas por Elas

Amanda Chain, colunista do AJ
 
“Elas por elas” constitui uma brilhante coletânea de histórias que refletem o pensamento de mulheres com personalidades e vivências diferentes. Todos os textos são assinados por grandes escritoras brasileiras. Portanto, o livro é uma instigante porta de entrada para que o leitor tome contato com as obras de Rachel de Queiroz, Pagu, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Ana Cristina Cesar, Nélida Piñon, entre outras – todas elas autoras premiadíssimas. 
 
Indico esse livro para quem quer conhecer mais a fundo a literatura brasileira, pois ao lê-lo tem-se descortinada nossa riqueza e diversidade literária. Além disso, é bastante proveitoso o fato de conhecer uma breve biografia de cada autora, mulheres tão díspares entre si, de modo a ser um ponto de partida para escolher com quem mais simpatizou e se aprofundar nas leituras.
 
Meus textos preferidos foram da Rachel de Queiroz, com seu incrível poder de colocar em termos prosaicos a beleza da vida cotidiana, o poder da simplicidade. De Maria Valéria Rezende já conhecia seu trabalho através do livro "Quarenta Dias", vencedor do prêmio Jabuti em 2015 - o texto “Dilema" é muito intrigante. Cíntia Moscovich aborda a velhice feminina de maneira assertiva, vale a pena conferir.
 
Textos escolhidos a dedo, diferentes temas, diferentes tempos, diferentes aspectos do ser feminino. Organizado por Rosa Amanda Strauss. Nova Fronteira. R$ 29,20.
 
 
Publicado na edição 207 - março/2017

Isso me traz alegria

Amanda Chain
 
"A vida só começa, de fato, depois que você organiza sua casa" é o que diz a japonesa Marie Kondo que tem como objetivo ajudar o máximo de pessoas possível a se organizarem de uma vez por todas. Conhecida mundialmente pelo seu método de organização, (lançado no Brasil em 2015 com o livro “A mágica da arrumação”), a autora agora se aprofunda no tema, trazendo um guia ilustrado que ensina passo a passo como arrumar de forma mais eficiente possível cada cômodo da casa. O livro “Isso me traz alegria” contém muitas dicas práticas e explicações detalhadas, ensina como guardar cada tipo de roupa, documentos e utensílios, inclusive formas de envolver as crianças no processo.
 
A etapa mais importante do método é: descobrir, entre tudo aquilo que está à sua volta, o que realmente lhe traz alegria - e descartar o restante. Arrumar significa confrontar (e conhecer) a si mesmo. Quando nos cercamos apenas de coisas que amamos, a vida flui de forma muito mais leve. A bagunça não retorna e tudo se transforma.
Uma das minhas surpresas foi a determinação de uma ordem correta de organização que ajuda a aperfeiçoar a capacidade de distinguir o que te traz alegria. Roupas são ideais para praticar essa técnica, enquanto fotografias e outros itens de valor sentimental são exemplos que não devem ser tocados até que você tenha se aperfeiçoado. A ordem certa é: roupas, livros, papelada, komono (itens diversos), itens de valor sentimental. Outra novidade é a forma diferenciada de dobrar as roupas, algo que ela ilustra passo a passo. 
 
Vou dizer que sou o tipo de pessoa que tem dificuldade de descartar as coisas, sempre guardei ou realoquei (na casa dos pais) meus objetos, considerando que um dia posso precisar disso ou daquilo, que vou ler aquele recorte de jornal, usar aquela blusa… Mas já percebi que é tudo ilusão. E depois de algumas tentativas de organização, esse método está sendo muito útil!
 
O livro é de fácil leitura e depois serve como um guia de consulta. Muito estimulante e à medida que a leitura vai avançando já dá vontade de colocar em prática. Editora Sextante. R$ 34,90
 
 
Publicado na edição 205 - janeiro/2017

Vencendo a crise

Desemprego. É a palavra que assombra a vida e o sono de milhões brasileiros. Os números mostram que a crise não está dando folga e o fechamento de vagas continua. Mas o que fazer?
 
Quem está buscando colocar na sua carteira de trabalho novo carimbo de alguma empresa vem percorrendo um caminho de desventuras. E, mesmo aquele que está empregado, vai ao trabalho com o justificado receio de, em algum momento, ser chamado ao RH.
 
Para ambos os trabalhadores o administrador e consultor Sady Bordin analisou o mercado de trabalho e escreveu “Vencendo a crise – 100 Dicas para Conseguir, Manter ou Trocar de Emprego” pela Best Business. Fruto de observações e da sua própria vivência como empregado, empresário e, hoje, consultor, Sady enumera lições práticas. “Estar desempregado é uma situação que, todos sabem, envolve familiares e amigos e requer além de paciência, estratégia e planejamento. A mesma coisa se aplica para quem não deseja passar por esse trauma, principalmente numa época de recessão”, diz o autor.
 
O livro é dividido em três partes (Conseguindo um emprego, Mantendo um emprego e Trocando de emprego) em doze capítulos. É um livro bastante didático, de fácil leitura e recheado de exemplos de sucesso.
 
A principal dica é não desanimar. São mais de doze milhões de brasileiros procurando uma colocação. “Se você não se preparar, alguém com mais perseverança vai começar a bater o cartão ponto”, destaca Sady. E esta é, de cara, a primeira lição do livro: “Mantenha a autoestima em alta!”. O autor diz que você deve eliminar a palavra “desempregado” do seu dia a dia: “A partir de agora, fale que está, no momento, sem emprego, pois soa menos dolorido e passa a ideia de algo passageiro”.
 
“Vencendo a crise” vai ajudá-lo a retornar ao mercado de trabalho como, também, ensinar como mudar de trabalho da melhor maneira possível. Nos dois casos, afirma Sady, “você sempre tem que agir com ética e profissionalismo”. 224 páginas. R$ 27,90.
 
 
Publicado na edição 206 - fevereiro/2017

Ganhe 24 horas por semana

Amanda Chain
 
O tempo é o nosso bem mais precioso. E ter tempo livre é uma questão de escolha. É isso que o livro “Ganhe 24 horas por semana” nos incentiva a realizar.
 
Organizado no formato de dez mandamentos, os autores mostram que simples mudanças em nossas rotinas, ações e decisões diárias podem nos economizar muitos minutos (meu pai sempre diz que quem não valoriza os centavos não ganha milhão. Acho a analogia com o tempo muito pertinente!). Quando o assunto é ter tempo para fazer o que quiser, cada segundo vale muito!
 
Os dez mandamentos são: 1) Saber dizer não, o que exige bom senso e é diferente de ser rude ou mal-educado; 2) Respeitar o seu corpo: administrando horas de sono, alimentação, atividades físicas e mentais; 3) Impor limites: saber que nosso tempo é limitado (o dia só tem 24 horas) e todas nossas aspirações devem ser realizadas dentro desses limites; 4) Saber desistir; 5) Planejar; 6) Terceirizar: porque não precisamos fazer tudo nem saber tudo; 7) Utilizar a engenharia da produção; 8) Otimizar processos: sempre pode existir um jeito mais eficiente de realizar as atividades; 9) Eliminar o inútil e 10) Manter a casa em ordem.
 
O livro é de leitura rápida e fácil aplicação. Os autores são professores universitários, Doutores em Engenharia, compositores e músicos. Utilizam seus próprios conceitos e exemplificam bastante.
 
Alguns dos mandamentos já são de conhecimento geral, mas nem sempre estão incorporados no dia-a-dia. Se ao terminar de ler, até mesmo sem perceber, alguma ação seja tomada melhorando sua organização e valorização do tempo, acredito que a leitura já valeu. De Marcus Oliveira Filho e Guilherme Schünemann Oliveira. Editora do Chain. R$ 29,00.
 
 
Publicado na edição 204 - dezembro/2016